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Os hackers estão, literalmente, de olho no seu voto



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Sistema 100% seguro só existe em sonho, mas as urnas eletrônicas brasileiras oferecem um elevado grau de segurança de proteção de dados. A análise, feita para a Sputnik Brasil, é de Jorge Duarte Valério, professor de Engenharia e Sistemas de Computação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O especialista comentou o último teste, realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que contratou especialistas em informática, para testar a segurança das urnas quanto à tentativa de invasão. Embora os chamados hackers do bem não tenham conseguido acessar o voto simulado dos eleitores, tiveram acesso ao chamado log, sistema que monitora a operação das urnas, uma espécie de caixa preta usada nos aviões que registra todos os dados do voo. 

Nas eleições de 2018, serão utilizadas 500 mil urnas em todos o país, das quais cerca de 30 mil estarão equipadas para fornecer uma cópia impressa do voto. O TSE informou que as falhas foram em decorrência de uma desatualização do sistema e que serão corrigidas.

"Sistemas, ainda que muito bem projetados, são vulneráveis dependendo da habilidade das pessoas que os manuseiem. Deveriam ser impressos todos os votos, e a máquina prevê isso inclusive, e por uma questão de outra natureza. O mais importante é a capacidade de se fazer a auditoria do sistema. Sistemas que não são auditáveis por definição não são seguros", diz o especialista.

Com relação à biometria das urnas, que será utilizada na eleição do ano que vem em apenas algumas cidades do país, Valério não vê um complicador em termos de segurança. Pelo contrário. Segundo ele, é um grande passo que se possa imprimir em parte do sistema. O professor lembra que teve a oportunidade de trabalhar como mesário nas primeiras votações com urna eletrônica.

O professor da UERJ discorda de que a impressão do voto poderia quebrar a confidencialidade do eleitor. Segundo ele, uma vez na cabine, onde haveria uma pequena impressora, o eleitor confirmaria o voto e automaticamente sairia um comprovante impresso. Tudo longe da observação de outros eleitores e dos próprios mesários. Valério lembra que os buffers de impressora só guardam os dados no momento da impressão.

"A urna eletrônica tem um algoritmo muito simples e não dá para imaginar que ele seja vulnerável. Ele imprime a zeréssima (a conclusão da votação) diante da fiscalização (representantes) de partidos confrontada com a lista de eleitores. Ali a margem de manobra é muito pequena para que haja problemas. Além disso, vale destacar que a urna eletrônica não está conectada com mais nada. Pensando em vulnerabilidade, e que é preciso tomar cuidado é a centralização de votos."

O professor explica que, concluída a votação de uma na seção, é removido um disco flash que é levado para uma outra área de reunião antes do envio de todos esses dados para a centralização dos votos em Brasília. "Transmissão com o devido cuidado é seguro. O problema é na hora em que é transferido o flash para a centralização."

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Fonte: SPUTNIK BRASIL | FOTO: © Divulgação/Wikipedia